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domingo, 24 de julho de 2011

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Lenda da Mandioca
Nasceu uma indiazinha linda e a mãe e o pai tupis espantaram-se:
- Como é branquinha esta criança!
Chamaram-na de Mani. Comia pouco e pouco bebia.
Mani parecia esconder um mistério. Uma bela manhã, Mani não se levantou da rede.
O Pajé deu ervas e bebidas à menina. Mani sorria, muito doente, mas sem dores.
E sorrindo Mani morreu.
Os pais  enterraram-na dentro da própria oca e regaram a sua cova com água, como era costume dos índios tupis, mas também com muitas lágrimas de saudade.
Um dia, perceberam que do túmulo de Mani rompia uma plantinha verde e viçosa. A plantinha desconhecida crescia depressa.
Poucas luas se passaram e ela estava alta, com um caule forte que até fazia a terra rachar ao redor.
- Vamos cavar? - comentou a mãe de Mani.
Cavaram um pouco e, à flor da terra, viram umas raízes grossas e morenas, quase da cor dos curumins, nome que dão aos indiozinhos. Mas, sob a casquinha marrom, lá estava a polpa branquinha, quase da cor de Mani.
- Vamos chamá-la de Mani-oca. - resolveram os índios.
Transformaram a planta em alimento.
E até hoje, entre os índios do norte e do centro do Brasil, este é um alimento muito importante.
E em todo o Brasil (e não só!), quem não gosta da Mandioca?

A lenda do Muiraquitã é considerada um verdadeiro amuleto da sorte, que consiste num sapinho feito de pedra ou argila, é geralmente de cor verde, que era confeccionado em jade. Os indígenas contam a seguinte lenda: que estes batráquios, que eram confeccionados pelas índias que habitavam às margens do rio Amazonas. As belas índias nas noites de luar em que clareava a terra se dirigiam a um lago mais próximo e mergulhavam em suas águas retirando do fundo do lago bonitas pedras que modelavam rapidamente e ofereciam aos seus amados, como um verdadeiro talismã que pendurado ao pescoço levavam para caça, acreditando que traria boa sorte e felicidade ao guerreiro. Conta a lenda que até nos dias de hoje muitas pessoas acreditam que o Muiraquitã trás felicidade e é considerado um amuleto de sorte para quem o possui. O Muiraquitã apresenta também outras formas de animais, como jacaré, tartaruga, onça, mas é na forma de sapo a mais procurada e representada por ser a lenda mais original. As Icamiabas ofertavam a seus parceiros Guacaris, tribo mais próxima de nossas Amazonas, após o acasalamento na festa dedicada a Iaci, entidade considerada mãe do Muiraquitã e que anualmente durava dias. Conta a lenda, que depois de manterem relações sexuais, as Icamiabas mergulhavam até o fundo lo lago espelho da lua, nas proximidades das nascentes do rio Nhamundá, perto do qual habitavam as índias, nação das legendárias mulheres guerreiras que os europeus chamavam de amazonas (mulheres sem maridos), para receber de Iaci o famoso talismã, o qual recebia as bênçãos da divindade. A lenda diz também, que se dessa união nascessem filhos masculinos, estes seriam sacrificados, deixando sobreviver somente os do sexo feminino.

Lenda Guarani (A Origem do Mate)

 wichaska  Folclore Indígena 
Os cânticos de guerra reboaram na floresta, e Itabaetê marchou com seus homens à procura do grande acampamento. Toda a tribo partira, levando nos olhos o brilho da vitória. Só um homem, enfraquecido pelo peso dos anos, não pudera seguir nesta nova arrancada guerreira. E ficara chorando no oito de uma coxilha, olhar estendido à linha de combatentes que serpenteava pelos caminhos. Mesmo depois da tribo ter desaparecido no véu da grande mata, ainda o velho índio permanecera numa atitude de estátua, mudo, enovelado em mil recordações das pelejas passadas. Voltava, em pensamento. àqueles tempos em que seu braço era o mais temido da tribo, a sua flecha a mais certeira, os seus olhos os mais seguros a perscrutar a imensidão das noites, Agora, fraco, envelhecido, estava condenado a atirar-se inativo ao fundo das matarias. Para seu consolo, restavam-lhe apenas as recordações, e a beleza de Yarí, a mais jovem e a mais formosa de suas filhas – a qual, surda ao convite de muitos guerreiros enamorados, preferira permanecer junto ao velho pai, adoçando-lhe as últimas horas de vida com o mel de seus sorrisos.
Um dia, chegou ao rancho do velho guarani um viageiro estranho – roupagem colorida, olhos lembrando o azul de céus longínquos. O guarani logo percebeu que o homem vinha de terras distantes, muito além das matas do Maracaju, matas que ele cortara, vibrando de entusiasmo, nas caminhadas de outrora. A porta de couro de seu rancho abriu-se inteiramente, recebendo o estrangeiro. Yarí foi buscar os frutos mais lindos da floresta, e o mel mais doce das mirins. E o seu velho pai, cerrando um pouco os olhos para melhor buscar as riquezas de um mundo afastado no tempo, recordava episódios de sua mocidade, entusiasmava-se no relato das caçadas perigosas e dos entreveros ruidosos. Tudo foi feito para que as horas que o estrangeiro passasse naquele rancho fossem cheias de contentamento.
Desceu a noite sobre a terra e a rede foi estendida para o sono do visitante. Seus sonhos foram povoados pela voz suave da virgem, entoando as cantigas guaranis. E no outro dia, quando o sol espiou por entre os ramos mais baixos do arvoredo, foi encontrar o estrangeiro já pronto para seguir viagem.
- Em tuas mãos repousa a generosidade das fontes cristalinas… – disse ele ao velho índio. – Em teu coração se abriga a hospitalidade das planuras infindas dos charruas, onde os campos se abrem em mil caminhos sem estender nada que impeça o andar do viageiro; no corpo de tua filha se esconde a pureza dos o1hos-d’água e a alegria das madrugadas de minha terra. Tanta virtude merece ser recompensada. Venho dos domínios de Tupá, o Deus do Bem. Pede o que quiseres!
- Nada mereço pelo que fiz, senhor! -, respondeu o guarani. – Mas como a bondade imensa de Tupá quer pousar suas mãos sabre este rancho pobre, eu pediria mais um pouco de alento para os últimos passos do meu viajar. Outrora, eu guiava pelos caminhos da guerra um sem-fim de guerreiros; hoje, somente minha filha enche de vida as minhas horas derradeiras. Eu quisera um outro companheiro, que atirasse doçura aos meus lábios e descanso ao meu coração. Alguém que fosse meu último amigo, um amigo fiel. Assim, Yarí poderia seguir o rastro da nossa tribo, onde os jovens anseiam por seu amor para continuarem mais confiantes no caminho da vitória. É o que peço, senhor: um amigo fiel, um companheiro que encha de doçura a horas amargas da saudade…
O emissário de Tupá sorriu. Em suas mãos brilhava – recoberta de uma luz estranha – uma planta repleta de folhagens verdes, donde se desprendia um perfume de bondade, talvez o mesmo perfume de Tupá.
- Deixa crescer esta planta, e bebe de suas folhas! – disse o enviado de Deus. – Bebe de suas folhas, e terás o companheiro que pedes! Esta erva, que traz em si a graça do Tupá, se estenderá pelas matas, trazendo o conforto não só a ti mas a todos os homens de tua tribo. E tu, Yarí, serás a protetora das florestas que haverão de surgir. Os guerreiros provarão a mesma delícia de teu carinho ao sorver esta bebida; as caminhadas de guerra serão menos fatigantes, e os dias de descanso mais felizes…
E já se afastando do rancho, o enviado de Tupá repetiu:
- Terás um companheiro fiel, velho chefe guarani… E será a protetora de tua raça, Caá-Yarí…
E desde então Caá-Yarí é a senhora dos ervais e a deusa dos ervateiros. Todos merecem dela o máximo de auxilia, se lhe são fiéis. E se algum ervateiro, ainda não satisfeito com aquela proteção, quiser ver a fartura escorrendo de seus dedos, poderá fazer com ela um pacto sagrado. Bastará entrar numa igreja, durante a Semana Santa, e pedir Caá-Yarí em casamento, jurando viver para sempre nos ervais, voltado somente para o culto de sua deusa, sem nunca mais amar outra mulher… Deixará, depois, num ramo de erva-mate, um bilhete no qual marca um encontro com a bela protetora das florestas No dia marcado, deverá penetrar no fundo da mataria, onde Caá-Yarí lhe provará a bravura, interrompendo-lhe o caminho com serpentes e feras. E se o ervateiro for corajoso e forte, vencendo a todos os perigos, receberá a recompensa de Yarí.
Sua vida será toda tomada pelo amor da jovem deusa. Suas noites serão cheias de prazer, e seus dias cheios de fartura. Os ervais se despirão por encanto, enchendo os surrões de couro sem que ele tenha gasto o mínimo de esforço. Na hora da pesagem, Caá-Yarí – que é invisível para todos menos para o seu amante – pousará sobre os feixes de erva, aumentando o peso da colheita. A felicidade será eterna para o ervateiro!
Eterna… se ele não quebrar seu juramento… Pois se alguma mulher consegue desnorteá-lo, haverá de lhe entregar, junto às carícias, a sentença da desgraça. Um dia, o ervateiro será encontrado estirado no meio dos ervais, inexplicavelmente morto, ou então correndo pelas florestas, ensangüentado, delirando, louco!
É a vingança de CaáYarí! Ela jamais perdoa!

GRANDE MOVIMENTO MUNDIAL PRÓ XINGU, CONTRA A CONSTRUÇÃO DE BELO MONTE!!



Hora
sábado, 20 de gosto  
13:00 - 23:30
Localização
Av Paulista, 
em frente ao MASP

  • UM GRANDE EVENTO PELA LUTA DA SOBREVIVENCIA
  •  DOS POVOS XINGUANOS E PELO RESPEITO A TODAS 
  • AS ETNIAS INDIGENAS DO BRASIL!

  • Com realização de dançar xinguanas como TAKUARA, 
  • JAWARI e YAMURYCUMÃ e rituais de guerra como
  •  RANHURA e PINTURA...

  • VENHA! CHEGUE CEDO PARA SER PINTADO PELOS
  •  GUERREIROS DO XINGU!
  • Tragam suas faixas, suas vozes, seus apitos, suas panelas......
  • Os governantes precisam nos ouvir.

  • Faça parte desta corrente de cidadania
  •  e fazendo valer os nossos direitos. 
  • Mobilize a sua comunidade e faça
  •  um protesto no dia 20 de agosto na 
  • sua cidade e fortifique esta corrente!
  • Vamoa parar com essa injustiça 
  • e evitar este genocidio!

  • "O IBAMA liberou uma liminar 
  • autorizando a construção da usina,
  •  contrariando as ordens dadas pela
  •  OEA e ONU. Porem, o estado do
  •  Pará ja entrou com uma 
  • contra-liminar para revogar
  •  esta liminar.
  • E o pior...800 máquina ja 
  • foram encaminhadas à vitoria do xingu 
  • para a instalação do canteiro de obras que
  •  dará inicio à usina.

  • Esta construção coloca em risco a 
  • sobrevivencia de mais de 40.000,00 
  • pessoas; alagará uma região que 
  • compreende a 11 municipios afetando 
  • diretamente a economia brasileira e 
  • as relações exteriores por roomper de
  •  maneira irresponsavel, acordos internacionais 
  • e por ignorarem as ordens dadas pela OEA e ONU.

  • Ja temos as corfirmações dos estados do Acre, 
  • Pernambuco, Amazonas, Pará, Mato grosso, 
  • Mato grosso do sul, Brasilia, Paraná, Paraiba, 
  • São paulo, Rio grande do sul; alem de França, 
  • Estados Unidos, Canadá, Mexico, Peru, Ecuador,
  •  Argentina, Espanha, Portugal... Cada cidade se 
  • manifestando simultaneamente em favor de um 
  • Xingu livre de usinas!"

  • NÓS PODEMOS!
  • JUNTOS SOMOS MELHORES!

  • ...

Pinturas indígenas


José Roberto Teixeira Leite
Não se aplicam à chamada arte indígena – que no caso do índio brasileiro pode-se definir como fazer com maestria, superando os limites do meramente utilitário -, os mesmos conceitos que regem a arte ocidental, como por exemplo o de arte pura, ou arte pela arte, até porque a arte indígena, e nela a pintura corporal, para muito além do conteúdo estético possui finalidade mágico-simbólica, vinculada que está ao universo mítico-cosmológico da comunidade, além de, entre outras funções, servir de “carteira de identidade” de quem a exibe, ao revelar dados sobre sua etnia, posição e prestígio social, sexo, idade, filiação a esse ou àquele clã, estado civil, se participa de algum ritual, se se preparou para a guerra etc. É num tal contexto que adquire pleno significado a explicação dada no longínquo Séc. XVIII a um missionário por um índio que, indagado por que se pintava, respondeu-lhe que para se diferenciar dos bichos; explicação idêntica à dos Wayana atuais, que pintam seus corpos, dizem, para não se assemelharem aos macacos. Aqui cabe um parêntese: não se deve falar em arte indígena, no singular, porém em artes indígenas porque estilos, formas e padrões ornamentais variam de povo para povo, do mesmo modo como há povos que sedestacam de maneira especial na cerâmica, outros na plumária, outros ainda na escultura em madeira, na cestaria ou – caso que nos interessa no momento – na pintura corporal.
Mu ito embora também utilizada em abanos, bancos, burdunas, remos, redes, cerâmicas e demais produtos que constituem sua cultura material - pois todos essas coisas possuem uma “pele”, e por conseguinte precisam ser ornamentadas -, é no corpo humano que o índígena encontra o suporte por excelência de sua pintura, “tela onde os índios mais pintam, e aquela que pintam com mais primor” (Darcy Ribeiro), nele aplicando todo um repertório de padrões decorativos – meandros, gregas, círculos, triângulos, pontilhados, caprichosas estilizações geométricas calcadas na fauna e na flora, sinais indicativos de caminho, direção etc. Se no passado, como conservou a tradição oral, a pintura corporal era domínio dos kudina, homens que assumiam a condição de mulheres e até se casavam com outros homens, e aos quais é atribuída a invenção de vários padrões até hoje em uso, na atualidade o ofício é geralmente – mas não exclusivamente - desempenhado por mulheres, algumas das quais ganharam notoriedade – caso daquela Anoã,uma pintora Kadiwéu que Darcy Ribeiro ainda conheceu, muito idosa, cercada do respeito da comunidade.
Os Kadiwéu são geralmente tidos como os melhores pintores indígenas, e suas pinturas corporais já no Séc. XVI causavam admiração aos europeus, a ponto de terem sido reproduzidas em xilogravuras alemãs daquela época; mas inúmeros outros povos indígenas se destacaram ou ainda se destacam nessa atividade, mesmo porque, entre os 227 que ainda resistem, muitos são os que a praticam. Infelizmente, o contacto cada vez mais freqüente com o homem branco tem repercutido negativamente na pintura corporal (como de resto nas demais artes indígenas), a ponto de padrões originariamente destinados a adornar corpos humanos serem agora pintados sobre papel, com tintas industriais, e vendidos por alguns reais a turistas; sem falar nas oficinas e nos concursos de pintura corporal volta e meia organizados na maioria dos estados brasileiros onde vivem povos indígenas.
As cores empregadas na pintura corporal são de origem vegetal, e se reduzem basicamente ao vermelho, obtido do urucum; ao preto,fornecido pelo sumo do jenipapo misturadoa fuligem; ao branco, da tabatinga, e com menor freqüência ao amarelo, extraído do açafrão. Sua aplicação faz-se com auxílio de gravetos, taquaras, com os dedos ou, em certas sociedades, mediante carimbos, feitos com caroços de frutas partidos ao meio e mergulhados na tinta.
Elencamos em seguida alguns povos indígenas cuja pintura corporal, pelas mais diferentes razões, merece menção especial.
Araweté. Os Araweté (ou Bïde = nós, seres humanos, em oposição a awi, os outros, os inimigos), habitantes do Sul do Pará, não são mais de 300 na atualidade. Constantemente ameaçados por belicosos vizinhos ou pelo homem branco, o que os levou no passado a sucessivos deslocamentos, é compreensível que sua cultura material seja limitada. Pintam cabelos e corpo com o vermelho do urucum, e no rosto traçam em preto uma linha horizontal sobre as sobrancelhas, uma vertical de alto a baixo no nariz e duas diagonais que vão do lóbulo da orelha à comissura labial.
Asurini. Os Asurini (= vermelhos) totalizam hoje uns 400 indivíduos, e vivem no Tocantins. Utilizam em sua pintura corporal motivos ornamentais estilizados, inspirados na natureza – cipó, feijão graúdo, pata de jaboti, rabo de macaco, cangote de onça pintada etc. - ou seres míticos, como Anhyaga Kwasiat, que foi quem lhes teria revelado os desenhos. Conforme se destine a ornar determinada parte do corpo, a pintura recebe nome específico; assim, a da perna chama-se tamaki, a da cabeça kuaipai etc.
Bakairi. São hoje cerca de 1000 e vivem em Mato Grosso. Homens e mulheres costumam pintar seus corpos com jenipapo, urucum e tabatinga em ocasiões especiais, como o casamento, a primeira menstruação ou a morte, bem como no início da colheita do milho, na cerimônia de perfuração da orelha etc. Suas máscaras, em número de 23, cada uma dedicada a um animal, são pintadas com os mesmos motivos.
Bororo. Entre os Bororo, que vivem em Mato Grosso e hoje totalizam cerca de 1.000 indivíduos, a pintura corporal representa um elo de ligação entre o mundo dos vivos e o dos mortos, e só pode ser usada com autorização do tuxaua, em ocasiões especiais. Tem tríplice finalidade: ornamentar o corpo, evitar doenças e afastar os maus espíritos. Durante os rituais, os que a recebem representam o espírito dos mortos ou dos animais. Quanto aos motivos ornamentais, são estilizações de formas naturais, encontradas na fauna e na flora.
Guajajara. Vivendo na região central do Maranhão, os Guajajara (“povo do cocar”), ou Tenetehara (“seres humanos verdadeiros”), hoje em número superior a 13.000, sofreram em contacto com os brancos um processo de aculturação quase total, a ponto de terem praticamente abandonado seus usos e costumes tradicionais, a pintura corporal inclusive, para somente a partir de 1970, graças aos esforços da FUNAI, voltarem a utilizá-la por ocasião de festas e rituais.
Kadiwéu. Os padrões ornamentais utilizados em sua pinturacorporal pelos Kadiwéu de Mato Grosso do Sul (hoje reduzidos a menos de 2.000 indivíduos)consistem em espirais, curvas e contra-curvas, cruzes, losangos, volutas etc. aplicados no rosto, e somente nele, e de motivos geométricos inspirados na Natureza, no corpo e apenas nele. No passado, os nobres pintavam apenas a testa, reservada aos “plebeus” a pintura de todo o corpo. Entre todos os indígenas brasileiros, os Kadiwéu destacam-se até hoje como os melhores pintores.
Karajá – Divididos em três subgrupos: o Karajá propriamente dito, que é o mais numeroso, o Javaé e o Xambioá, que distribuídos por 29 aldeias totalizavam na atualidade pouco menos de 3.000 indivíduos, os Karajá - ou Iny (“nós”), como se auto-denominam -, habitam uma vasta área dos Estados de Tocantins, Goiás e Mato Grosso, ao longo dos rios Araguaia e Javaé, nela incluída a Ilha do Bananal. Na sociedade Karajá a pintura desempenha papel de relevo, não só a ornamental, com que enfeitam sua cerâmica utilitária ou figurativa (os famosos licocós), como sobretudo a corporal. Num e noutro casos os padrões ornamentais são constituídos por linhas horizontais ou verticais que ora se aproximam ora se afastam ou se entrecruzam, entremeadas de pontos, representando partes fortemente estilizadas de corpos de animais (cobra, peixe, tartaruga etc., nunca o animal inteiro).  Tais padrões, mais de uma centena, praticamente indistinguíveis a olhos não-índios, não são aplicados aleatoriamente, sendo seu uso determinado por fatores como idade, sexo ou posição social. Assim, há padrões só reservados aos chefes, outros aplicáveis apenas a artefatos, e outros ainda utilizáveis em situações especiais. Pernas e braços recebem pinturas à base de listas, faixas e pontos; mãos, pés e rosto, padrões extraídos à fauna. Quando nasce uma criança Karajá, seu corpo, após banhado, é recoberto de urucum; aos 10, 12 anos, na cerimônia iniciática do hetohoky (“casa grande”), o menino é pintado com a tinta preta azulada do jenipapo e se torna um jyre; atingindo a puberdade, o adolescente recebe na face dois círculos pintados a jenipapo e carvão, que no passado recobriam uma dolorosa escarificação feita com o dente do peixe-cachorro.
Kaxinawá. Costumam pintar seus corpos por ocasião das grandes festas, como o “batismo” dos legumes e o das bananas. Os padrões ornamentais – mais de 50 – derivam de formas da fauna: jibóia, jacaré, coruja, lagarto etc. etc.
Maku. Os Maku, habitantes da região fronteiriça entre o Amazonas e o Peru, possuem cultura material rudimentar. Na verdade, suas canoas, cerâmica, cestaria e pintura corporal são copiadas das dos povos seus vizinhos, como os Tukano e os Arawak.
Maxakali. Nada melhor para explicar o papel da pintura corporal entre os Maxacali de Minas Gerais do que esse pequeno texto de um deles, Rafael Maxakali, explicando o namoro e o casamento entre seu povo: “Os Maxakali dançam, brincam, nadam e se pintam com urucum e jenipapo para ficarem bonitos e namorar. Mas como eles namoram? Os espíritos saem para cantar e dançar e cantam bonito. Então dançam com as mulheres. Mas aqueles (aqueles dois) no cantinho estão brincando e namorando também. Também namoram quando estão nadando, pintam o rosto, a perna e o braço com urucum, pintam-se para ficar bonitos”.
Panará. Os chamados “índios gigantes”, cerca de 200 indivíduos cujo habitat atual localiza-se entre Mato Grosso e o Pará, descendem dos antigos Cayapó do Sul, dizimados pelos bandeirantes no Séc. XVIII e quase definitivamente extintos em começos do Séc. XX. Não mais possuindo sua própria pintura corporal, os Panará adotaram em época recente a dos povos seus vizinhos, num curioso processo de apropriação cultural.
Timbira. Esse nome se aplica a sete sociedades indígenas localizadas no Maranhão e no Tocantins: Apanyekrá, Apinayé, Ramkokamekra-Canela, Gavião do Oeste, Krahô, Krinkati e Pukobyê. Além de suas festividades e rituais, durante as quais pintam os corpos com os padrões e nas cores que caracterizam os diferentes clãs, todos esses povos cultivam a corrida de toras, que não faz parte de nenhum ritual de iniciação ou pré-nupcial, como se pensava, mas é, isso sim, uma espécie de esporte nacional Timbira. Para a realização da corrida de toras os membros da comunidade dividem-se em grupos, segundo sua pintura, ou em sociedades de festa; assim os Katám (vermelhos) enfrentam os Vanmégn (pretos), entre os Apinayé de Tocantins, enquanto uma intrincada tabela opõe Patos, Gaviões, Jaguares, Cutias, Máscaras, Peixes e Palhaços, entre os Ramkokamekra-Canela do Maranhão - e para só ficar nesses exemplos. As toras, obtidas de troncos de buriti e pintadas pelas mulheres de cada grupo, têm peso e dimensões que variam segundo a idade dos contendores (15 a 55 anos); as maiores, reservadas aos campeões da tribo, medem cerca de um metro de altura por 40 a 50 cm de diâmetro, e chegam a pesar 100 quilos! O desafio é levá-las às costas desde o local onde foram cortadas até ao centro da aldeia, num percurso médio de três quilômetros. Entre os mais importantes rituais Timbira incluem-se o Mekapri, durante o qual o espírito de uma pessoa enferma é instado a voltar ao seu corpo, e as cerimônias de casamento, morte e enterro.
Xerente. Os Xerente (Akwe) habitam o Tocantins e são hoje cerca de 1.800. Os motivos predominantes em sua pintura corporal são o traço, que identifica os que pertencem ao clã Wahirê, da Lua, e o círculo, para os que integram o clã Doí, do Sol. Adultos somente se pintam em ocasiões especiais, ao contrário das crianças, que devem andar sempre pintadas. As cores predominantes são o preto, obtido da mistura de carvão com pau-de-leite, o vermelho de urucum e o branco, reforçado com penugem de periquitos. Antes da aplicação das tintas, o corpo é untado com óleo de babaçu.
Xokleng. Os Xokleng de Santa Catarina conservaram até cerca de 1950 seus usos e costumes, crenças e cultura material, o que incluía a pintura corporal, cada família ostentando em ocasiões especiais suas “marcas” próprias, inspiradas em animais. Quando um Xokleng casado morria,seu viúvo ou viúva permanecia algum tempo em reclusão, para se purificar, e ao ser reintegrado à comunidade era recebido em meio a cantos e danças, todos usando no corpo suas marcas de identificação.Em nossos dias, os Xokleng adotaram a religião episcopal, passaram a usar roupas como os brancos e trocaram rituais e celebrações pelas reuniões quase diárias da Assembléia de Deus.Hoje, somente no Dia do Índio, 19 de abril, os 750 remanescentes desse povo se despojam de suas roupas e pintam seus corpos com as velhas marcas, não com finalidade ritualística, mas por motivação estética, por achá-las uh (bonitas). A FUNAI vem tentando em época recente reiniciá-los em seus costumes tradicionais, mas enfrenta a resistência dos religiosos.
Yawanawa. Apenas os membros mais idosos dos Yawanawa do Acre (com seus parentes, os Katukina) ainda conservam na memória os padrões ornamentais de sua antiga pintura corporal, hoje executada pelas mulheres somente por ocasião das grandes festas ou saiti (“gritaria”), como a do mariri e a da caiçuma. Nessas pinturas, cada vez menos freqüentes, predominam o preto do jenipapo e o vermelho do urucum.
Wajãpi. Esse povo, integrado por cerca de 1.000 indivíduos, mais da metade vivendo no Amapá, e os restantes na Guiana Francesa, distingue-se por ter sido responsável pela criação do padrão kusiwa (“caminho do risco”), utilizado tanto em sua pintura corporal quando na de seus objetos.Trata-se de combinar entre si do modo mais engenhoso possível desenhos estilizados de cobra, borboleta, espinha de peixe, casco de jaboti etc., assim formando intrincadíssimas tramas ad infinitum. Para os Wajãpi os padrões empregados no kusiwa foram-lhes revelados pelos mortos, e o indívíduo que tem o corpo pintado passa a se identificar com o espírito de um morto, ou de um animal. Em 2003 a UNESCO declarou o padrão kusiwa Patrimônio Imaterial da Humanidade.
Wayana. Como tantos povos indígenas, os Wayana, que habitam o norte do Pará, têm uma versão mítica para a origem dos padrões e das cores com que se pintam. Segundo eles, foi o homem-lagarto kurupeakê e a cobra-grande tuluperê que lhes forneceram os desenhos e cores (preto e vermelho respectivamente) de sua pintura corporal. Aliás, prova da superioridade do homem sobre o bicho é que cada bicho possue uma única “pele”, enquanto ao se pintar o homem pode utilizar várias “peles”. Certos motivos Wayana possuem simbolismo particular: assim, o pontilhado imita as malhas da onça e representa o domínio sobre a Natureza; o triângulo é a borboleta e remete ao mundo espiritual; e o listrado é uma alusão à cobra-grande e ao sobrenatural.


   

domingo, 17 de julho de 2011

Rituais Indígenas




Uma grande parte dos rituais realizados pelos diversos grupos indígenas do Brasil pode ser classificada como ritos de passagem. Os ritos de passagem são as cerimônias que marcam a mudança de um indivíduo ou de um grupo de uma situação social para outra. Como exemplo, podemos citar aqueles relacionados à mudança das estações, aos ritos de iniciação, aos ritos matrimoniais, aos funerais e outros, como a gestação e o nascimento.
Entre os Tupinambá - grupo indígena extinto que habitava a maior parte da faixa litorânea que ia da foz do rio Amazonas à ilha de Cananéia, no litoral paulista-, quando nascia uma criança do sexo masculino, o pai levantava-se do chão e cortava-lhe o umbigo com os dentes. A seguir, a criança era banhada no rio, após o que o pai lhe achatava o nariz com o polegar. Em seguida, a criança era colocada numa pequena rede, onde eram amarradas unhas de onça ou de uma determinada ave de rapina. Colocavam-se, ainda, penas da cauda e das asas dessa ave e, também, um pequeno arco e algumas flechas, para que a criança se tornasse valente e disposta a guerrear os inimigos.

O pai, durante três dias, não comia carne, peixe ou sal, alimentando-se apenas de certo tipo de farinha. Não fazia, também, nenhum trabalho até que o umbigo da criança caísse, para que ele, a mãe e a criança não tivessem cólicas. Três vezes por dia punha os pés no ventre da esposa. Nesses dias, o pai fazia pequenas arapucas e nelas fazia a tipóia de carregar a criança; tomava, também, o pequeno arco e as flechas e atirava sobre a tipóia, pescando-a depois com o anzol, como se fosse um peixe. Assim, no futuro, a criança caçaria ou pescaria. Quando o umbigo caía, o pai partia-o em pedacinhos e pregava-os em todos os pilares da oca, a fim de que o filho fosse, no futuro, um bom chefe de família. O pai também colocava aos pés da criança um molho de palha, que simbolizava os inimigos. Quando todas essas práticas tinham sido realizadas, a aldeia por inteiro se entregava às comemorações. Nesses dias, era escolhido um nome para o recém-nascido.
Através desse rito de incorporação, o pai assumia a paternidade e se reconhecia ao recém-nascido, um lugar na sociedade Tupinambá, como homem ou mulher.
Cabe destacar que nesses rituais ligados à gestação e ao nascimento não só a criança, como também seus pais, eram submetidos ao ritual de passagem. O reconhecimento da gravidez da mulher punha o pai e a mãe num estado de cuidados especiais, separando-os, de certo modo, pela maneira de se comportar, dos demais habitantes da aldeia. Ficavam, assim, segregados até que a criança nascesse e os ritos de sua incorporação fossem realizados, momento em que eles eram reintegrados à vida normal, desempenhando um novo papel social: pai e mãe de um novo membro da sociedade.
Bibliografia
Melatti, Julio Cesar. Índios do Brasil. Hucitec, 1980.
Maestri, Mário. Os senhores do litoral. Editora da Universidade/UFRGS, 1994



Haverá manifestação no Masp Paulista nos dias 17/07 e 31/07 Apareçam Não ao BELO MONTE!!! vamos salvar a amazônia da destruição..


 
Natureza é uma designação genérica para o conjunto de coisas existentes e não criadas pelo homem.
Progressivamente, o homem substituiu seu meio natural por outro, produto de seu trabalho e de sua inteligência. Esse mundo artificial em alguns casos o afastou de tal maneira do mundo natural que fez com que o homem perdesse o sentido de seu verdadeiro lugar. Por isso, muitas vezes o homem intervém cegamente nos delicados sistemas naturais, nos quais tudo está inter-relacionado, e provoca graves alterações de equilíbrio.
Por causa da radicalização da ação do homem sobre a natureza, surgem iniciativas da qual a mais antiga é o conservacionismo que é a luta pela conservação do ambiente natural ou de partes e aspectos dele, contra as pressões destrutivas das sociedades humanas, trabalho esse hoje desempenhado pela entidade Internacional de defesa do meio ambiente o Greenpeace.

  Como cidadão brasileiro e consumidor, solicito que a Presidência da República garanta o fortalecimento institucional e operacional do IBAMA, viabilizando o bom funcionamento do órgão que é responsável por ordenar o uso dos recursos florestais, bem como monitorar e proteger estes recursos. Só assim poderemos deter o verdadeiro assalto que está sendo empreendido ao maior patrimônio ambiental brasileiro.


      *   Não podemos deixar esses homens destruir uma coisa que não foi eles que plantaram  !!!! 


.       PEÇO A COLABORAÇÃO DE TODOS VOCÊS =)


VAMOS LÁ , AJUDEM PESSOAL , A AMAZÔNIA NÃO PODE SER DESTRUÍDA !!!


POVO Amanayé


Histórico do contato
Os Amanayé foram mencionados pela primeira vez na região que constitui, provavelmente, a área de origem deste povo Tupi: o Rio Pindaré. Ali, resistiram por muito tempo às tentativas de aldeamento, quando, em 1755, fizeram um acordo com o Padre David Fay, missionário jesuíta entre os Guajajara da aldeia de São Francisco do Carará. Fay “conseguiu praticar os Amanaios e que se descessem e aldeassem”, junto aos Guajajara, seus tradicionais inimigos.
Pouco depois, uma boa parte do grupo mudou-se pacificamente para o Rio Alpercatas, na fronteira do Maranhão com o Piauí, estabelecendo-se perto da Aldeia Santo Antônio. Por volta de 1815, havia apenas 20 remanescentes deste grupo, misturados com negros. Outros Amanayé do Alpercatas continuaram sua migração através do Rio Parnaíba, alcançando o Piauí em 1763, não havendo notícias do que lhes ocorreu depois.
Na segunda metade do século XIX, os Amanayé dos rios Pindaré e Gurupi se situavam na área de influência das “Diretorias Parciais”, onde foram visitados pelo viajante Gustavo Dodt. As “Diretorias Parciais” foram criadas pelo Regimento de 1845 e visavam limitar os abusos praticados por regatões; na prática, porém, essas administrações locais aumentaram a sujeição dos índios, utilizados como mão-de-obra “dócil” e barata. Os aldeamentos do “Diretório”, devido à uma administração caótica, tiveram curta duração (até 1889).
Onde estão os Amanayé?
Os Amanayé estão distribuídos na região do médio rio Capim, onde se localizam as Terras Indígenas Saraua e Barreirinha. A área tradicionalmente ocupada por estes índios situa-se no alto Capim, entre os igarapés Ararandeua e Surubiju, onde foi criada, em 1945, a “Reserva Amanayé”. No entanto, os Amanayé encontram-se fora dessa área.
Encravados no território dos Tembé, os Amanayé estavam, nesse período, divididos entre três aldeias, na margem do Rio Caju-Apará, formador do Rio Gurupi; muito menos numerosos que os Tembé, sua população foi estimada entre 300 e 400 pessoas. Ali “têm muitas relações com a população civilizada, por intermédio dos regatões que os procuram por causa do óleo de copaíba, casca de cravo, rama de abuta e de algum breu”.
Na mesma época, outros Amanayé são mencionados no Rio Moju, onde também encontraram índios Tembé que migravam em direção ao Pará. A partir desse momento não se tem mais informações sobre os Amanayé do Maranhão. Instalados na região dos Rios Moju e Capim, esses índios enfrentaram aldeamento compulsório, extorsões praticadas por regatões e conflitos com fazendeiros. Foram aldeados na Missão Anauéra ou São Fidelis, no Capim. Por serem considerados mais “rebeldes”, missionários atribuiram-lhes um local separado dos Tembé e dos Turiwara.
Em 1873, os Amanayé mataram o missionário da Aldeia, Cândido de Heremence, e um engenheiro belga que transitava na região. As represálias contra os índios levaram uma parte do grupo a se refugiar no Igarapé Ararandeua, onde evitavam o contato com regionais. Segundo Nimuendajú, esses Amanayé passaram então a se identificar como Ararandeuara ou como Turiwara, para dissimular sua identidade.
Quanto aos Amanayé que permaneceram na Missão, passaram a viver sob a administração de uma Diretoria Parcial de Índios, no mesmo local. Ali, continuavam em conflito com povos vizinhos e, em 1880, os Amanayé mataram um grupo de índios Tembé e Turiwara, considerados os “índios mansos” daquela área. Essa ocorrência motivou o Presidente da Província do Pará a providenciar “armas e munições para que esses índios mansos se possam defender dos ataques dos Amanyé. Após esses conflitos, supõe-se que os Amanayé se isolaram definitivamente dos Tembé e dos Turiwara, migrando para as cabeceiras do Rio Capim. A partir do final do século XIX, notícias do grupo aparecem somente através de registros de alguns etnólogos que visitaram rapidamente a região e através de vistorias, também rápidas, do SPI.
No final do século XIX, um pequeno grupo formado por índios Amanayé e Anambé, sobreviventes de uma epidemia nas aldeias do Arapari, se encontrava perto das últimas cachoeiras do Rio Tocantins. A maior parte do grupo, entretanto, teria permanecido no Rio Capim, onde o inspetor Luiz Horta Barbosa, logo após a criação do SPI (em 1910), realizou uma expedição. Encontrou um grupo Amanayé liderado por uma mulata chamada Damásia, no Igarapé Ararandeua. Damásia teria assumido a chefia do grupo ainda no final do século XIX e é mencionada como representante do grupo até a década de 1930. Nessa data, os Amanayé do Ararandeua eram aproximadamente 300 pessoas, distribuídas entre quatro aldeias. Nessa mesma área teria ocorrido, em 1941, um ataque, conforme um documento do SPI: índios “Amanajas” ainda não pacificados da região dos rios Surubiju e Carandiru, teriam atacado índios do Capim; segundo os Anambé, os índios arredios seriam cerca de 200 e já tinham aparecido no Igarapé Pimental, afluente do Rio Gurupi. O documento comenta então a necessidade de criação de um Posto Indígena na região.

A criação da Reserva Amanayé, em 1945, destinava-se, supostamente, a esse grupo de 200 Amanayé “não pacificados”, cujos remanescentes constituem, provavelmente, a atual população indígena do alto Capim. Quanto ao grupo de Damásia, a última informação data de 1942, mencionando 17 remanescentes, liderados pelo filho dela e “na maioria mestiços”. Na ocasião, esses Amanayé comentaram sobre o grupo arredio do Garrafão, afluente esquerdo do Ararandeua.
Finalmente, os Amanayé instalados na região do Rio Moju se identificavam como Ararandeuara, conforme Lange. Este viajante publicou, em 1914, a única descrição etnográfica existente sobre o povo Amanayé.
Nimuendajú, em 1926, encontrou um grupo local com a mesma autodenominação, na localidade de Munduruku, próxima do. Os índios do Rio Cairari, também visitados por Nimuendajú, em 1943, foram por ele identificados como Amanayé e Turiwara, mas seriam, na realidade, um subgrupo Anambé.
Na década de 1950 os Amanayé continuavam ocupando as margens do Rio Candiru-Açu, dentro da Reserva. Foram ali visitados pelo sertanista João E. Carvalho, que trabalhava na época na Frente de Pacificação dos Urubu-Kaapor do SPI. Em 1976, havia pelo menos 10 remanescentes do grupo dispersos na Reserva, entre os rios Ararandeua e Surubiju.