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domingo, 10 de julho de 2011

História do povo   Aikanã

Segundo informações dadas pelos prFoto: Vincent Carelli/ISA, 1981

Ao serem removidos para a atual Terra Indígena, foram levados com eles dois outros povos, ambos de número bastante reduzido, os Koazá (também grafado Kwaza), então conhecidos como Arara, e os Latundê. Vale ressaltar que estes eram povos diferentes, cada um trazendo sua cultura e falando sua própria língua. Em histórias de seus antepassados, os Aikanã descrevem os Koazá como ferozes guerreiros, perigosos feiticeiros e seus inimigos ferrenhos.óprios Aikanã, até à época de sua transferência, eles habitavam ricas terras nas proximidades do Tanaru, um dos rios menores da região, a oeste do Rio Pimenta Bueno.
Segundo o antropólogo e pesquisador Price (1981), em 1940 o Serviço de Proteção aos Índios abriu um posto de atendimento em Igarapé Cascata, um afluente do Pimenta Bueno, e para lá foram levados vários grupos indígenas, dentre eles os Aikanã. Aí, então, sarampo e fortes gripes causaram a morte de um grande número de indivíduos, deixando esses grupos sensivelmente reduzidos. Tais fatos são confirmados pelos Aikanã mais antigos.
Ao que parece, os primeiros contatos mais estreitos de que se tem notícia entre os Aikanã e a população não indígena foram no início dos anos 1940, por meio do engenheiro geólogo Vitor Dequech, a quem tive a oportunidade de conhecer na década de 1990. Com uma equipe preparada para pesquisa de minérios enviada pelo General Rondon, entre 1941 e 1943, Dequech comandou a Expedição Urucumacuan, que percorreu a região em busca de possíveis jazidas de ouro no rio Pimenta Bueno e seus afluentes. Naquele período, manteve freqüentes contatos com os índios da região, inclusive os Aikanã – por ele referidos como “Massacá”, e documentou, com detalhes, todos os contatos e atividades que desenvolveu durante sua viagem. Este contato está registrado em antigos números do Jornal Alto Madeira, publicado naqueles anos em Porto Velho.
Não a Belo Monte 19 Junho 2011


 Com: Cássia Kiss – Adriana Esteves – Marcos Pasquim & Paulo Vilhena.
Junte-se ao Movimento Brasil pelas Florestas. Venha celebrar a Vida e a Natureza!!!
Nosso próximo encontro será no vão do MASP na Av. Paulista as 14:30hs Domingo 19 Junho
Agradecimentos especiais aos artistas que estão apoiando essa causa.
FONTE http://pontodepauta.wordpress.com/2011/06/19/nao-a-belo-monte-19-junho-2011-2/

literatura nativa

Essa semana umas das postagens do blog descendência indígena fala sobre literatura  nativa pode até ser literatura indígena , mas o escritor Olívio Jekupe me disse pelo o facebook
´´Sei que tem gente que entende a literatura nativa, pois eu não gosto da palavra literatura indigena, pois ela quer dizer algo diferente do que o povo imagina´.
A diferença entre literatura indígena e literatura nativa é que a literatura nativa vem do próprios indígenas com escritores indígenas conta da origem do próprio povo ,a literatura indígenas pode ser generalizada ,por escritores não índios
Então se é melhor usar o termo literatura nativa ,essa semana pesquisei um pouco sobre literatura nativo
Conheci alguns nomes uns eu já sabia , como marcos terena e Olívio jekupe também pude conhecer um pouco do trabalho de  , Ademerio Payaya ,Manoel Moura, Graça Graúna, Ely Macuxi,  entre outros ,  gostei muito do trabalhos desses escritores, que vivem entre a sua arte, e seu trabalho, e as lutas indígenas de seus povos de um certa forma ,é um modo de resistir e de valorizar mais a cultura ,a sabedoria desses escritores , e a sabedoria dos seus povos estão eternizados em suas obras ,geram muitos trabalho series , talvez porque há muita historia a ser contada , sobre o passado presente futuro , atualidade desafios de comunidades, lutas por direito e o modo como  olhar para  futuro, tudo isso em folhas linhas,que não são apenas parágrafos pontos virgulas, são historias de famílias, lendas desconhecidas, pessoas que não querem ser esquecidas, descriminadas ,
A escrita e leitura são ferramentas importantíssima  para  a educação em geral pois nela esta o conhecimento e o conteúdo  ,coisas que não podemos aprender ,no cotidiano com pessoas ou em lugares comuns no nosso dia a dia ,ela fantasia cria novas pessoas nos transporta,a lugares que não podemos estar a épocas que não vivemos ,e assim sabemos mais ,um pouco mais entre fantasias e historias biografias baseadas em fatos reais esse saber mais , não é   pra se dizer ser mais conhecedor, mais culto, mais sábio, mais inteligente , ou pra ter um emprego melhor,é claro que é importante conhecemos nosso valor, e agregar em todas as áreas da nossa vida inclusive no trabalho ,pra crescer como pessoa e profissional ,o conhecimento vale mais que dinheiro  ,
Sou guarani do estado de São Paulo e,Eu apoio os escritores nativos ,pela a sua luta pessoa para divulgar seus trabalhos , pela a coragem em dizer sou indígena ,e isso é LITERATURA NATIVA !!!!
Espero que não só consigam espaço , mas também autonomia e mais organização, vem crescendo muito há muitos anos com trabalho digno e de qualidade merecem muito mais reconhecimento que hoje tem
Então da próxima vez que você for a uma livraria e la estiver , alguns livros de literatura nativa se disponha  e se proponha , a essa nova descoberta garanto que não vai ficar só no primeiro livro, a literatura nativa transmite toda a riqueza das culturas indígenas brasileiras , com uma pitada pessoal de cada autor , índios não são só lindos nos quadros e não produzem somente artesanatos , a riqueza vai além disso de rostos pintados
Quero agradecer a alguns amigos que me informaram mais sobre o assunto até porque conhecem mais, OBRIGADO !!!!!
Força ,coragem,  e fé na luta a os autores de nossas culturas e viva a LITERATURA NATIVA
TAMBEM PESQUISEI NO






Diego Barros
 Guariba SP 10 de Julho de 2011

literatura nativa

Essa semana umas das postagens do blog descendência indígena fala sobre literatura  nativa pode até ser literatura indígena , mas o escritor Olívio Jekupe me disse pelo o facebook
´´Sei que tem gente que entende a literatura nativa, pois eu não gosto da palavra literatura indigena, pois ela quer dizer algo diferente do que o povo imagina´.
A diferença entre literatura indígena e literatura nativa é que a literatura nativa vem do próprios indígenas com escritores indígenas conta da origem do próprio povo ,a literatura indígenas pode ser generalizada ,por escritores não índios
Então se é melhor usar o termo literatura nativa ,essa semana pesquisei um pouco sobre literatura nativo
Conheci alguns nomes uns eu já sabia , como marcos terena e Olívio jekupe também pude conhecer um pouco do trabalho de  , Ademerio Payaya ,Manoel Moura, Graça Graúna, Ely Macuxi,  entre outros ,  gostei muito do trabalhos desses escritores, que vivem entre a sua arte, e seu trabalho, e as lutas indígenas de seus povos de um certa forma ,é um modo de resistir e de valorizar mais a cultura ,a sabedoria desses escritores , e a sabedoria dos seus povos estão eternizados em suas obras ,geram muitos trabalho series , talvez porque há muita historia a ser contada , sobre o passado presente futuro , atualidade desafios de comunidades, lutas por direito e o modo como  olhar para  futuro, tudo isso em folhas linhas,que não são apenas parágrafos pontos virgulas, são historias de famílias, lendas desconhecidas, pessoas que não querem ser esquecidas, descriminadas ,
A escrita e leitura são ferramentas importantíssima  para  a educação em geral pois nela esta o conhecimento e o conteúdo  ,coisas que não podemos aprender ,no cotidiano com pessoas ou em lugares comuns no nosso dia a dia ,ela fantasia cria novas pessoas nos transporta,a lugares que não podemos estar a épocas que não vivemos ,e assim sabemos mais ,um pouco mais entre fantasias e historias biografias baseadas em fatos reais esse saber mais , não é   pra se dizer ser mais conhecedor, mais culto, mais sábio, mais inteligente , ou pra ter um emprego melhor,é claro que é importante conhecemos nosso valor, e agregar em todas as áreas da nossa vida inclusive no trabalho ,pra crescer como pessoa e profissional ,o conhecimento vale mais que dinheiro  ,
Sou guarani do estado de São Paulo e,Eu apoio os escritores nativos ,pela a sua luta pessoa para divulgar seus trabalhos , pela a coragem em dizer sou indígena ,e isso é LITERATURA NATIVA !!!!
Espero que não só consigam espaço , mas também autonomia e mais organização, vem crescendo muito há muitos anos com trabalho digno e de qualidade merecem muito mais reconhecimento que hoje tem
Então da próxima vez que você for a uma livraria e la estiver , alguns livros de literatura nativa se disponha  e se proponha , a essa nova descoberta garanto que não vai ficar só no primeiro livro, a literatura nativa transmite toda a riqueza das culturas indígenas brasileiras , com uma pitada pessoal de cada autor , índios não são só lindos nos quadros e não produzem somente artesanatos , a riqueza vai além disso de rostos pintados
Quero agradecer a alguns amigos que me informaram mais sobre o assunto até porque conhecem mais, OBRIGADO !!!!!
Força ,coragem,  e fé na luta a os autores de nossas culturas e viva a LITERATURA NATIVA
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domingo, 3 de julho de 2011

Organização política Potiguara


A atual organização política das aldeias Potiguara guarda uma relação estrita com o “declínio” da liderança tradicional. Existiam os “regentes”, também chamados de tuxauas, escolhidos pelo grupo levando em consideração o fato da pessoa “ser do Sítio”, isto é, residir na aldeia S. Francisco e ser reconhecido como “caboclo legítimo”.

Com a morte de Manuel Santana em 1942, o então Serviço de Proteção ao Índio (SPI) resolveu intervir explicitamente na nomeação da liderança dos índios. O referido órgão nomeou Daniel Santana, filho de Manuel Santana, para responder como líder dos Potiguara. Mas esta nomeação e a posterior contratação de Daniel Santana para ocupar um cargo na administração do Posto Indígena em Baía da Traição, uma espécie de funcionário-cacique, não eliminou a possibilidade dos índios escolherem um outro tuxaua. Por alguns anos, ao mesmo tempo em que existia um tuxaua nomeado pelo órgão indigenista, havia outro tuxaua escolhido pelos próprios índios.

No ano de 1986 morreu Daniel Santana. Foi nomeado Heleno Santana dos Santos, filho de Daniel para ser não mais tuxaua, mas “cacique geral”, desvinculado do posto indígena. O fato de ele ser reconhecido como o continuador do trabalho de seu avô e de seu pai não impediu a escolha de um outro “cacique geral” pelos próprios índios. Essa prática ainda hoje continua, acrescido ainda da existência de lideranças em grande parte das aldeias, os chamados “cacique da aldeia”. Tais lideranças são nomeadas pelos moradores da aldeia, ocupando uma posição de mediador entre a aldeia, o órgão tutor e a sociedade envolvente, buscando sempre administrar a localidade ou outras próximas de modo a evitar a entrada de brancos.

Das 32 aldeias, 26 possuem representantes reconhecidos pelo cacique geral e pelo órgão. Não há critérios claros de uma aldeia possuir ou não um representante dentre os seus próprios moradores. A chefia indígena tende a se estabelecer nas aldeias que possuem um número razoavelmente alto de moradores e residências em relação às suas vizinhas, com exceção das aldeias Bento, que possui nove residências, e Lagoa do Mato, com sete residências.

A escolha do cacique da aldeia ocorre num contexto, cuja marca é o destaque de um grupo doméstico, que, regra geral, configurou a situação de fundador e de “casa-focal”. A atuação é, em grande medida, legitimada pelos critérios do pioneirismo no lugar e da “proximidade” com os “caboclos do Sítio”, se referindo aos laços de sangue e ao apoio dos mesmos no início do exercício da chefia local.

Outro elemento fundamental na constituição das lideranças reside na participação de cada aldeia na novena de São Miguel. Tal participação se dá, sobretudo, com contribuições para a “noite da aldeia”. Os chamados noiteiros convidam as famílias e recolhem as ofertas para o santo.

Até o ano de 1942, as dádivas, depois de recolhidas nas aldeias, eram enviadas para o tuxaua Manuel Santana, que além de receber as referidas doações, visitava as residências e recolhia ofertas dos moradores da aldeia S. Francisco. Com a morte do tuxaua Manuel Santana, o tuxaua do S. Francisco restringiu o recolhimento das dádivas aos moradores da sua aldeia. Por sua vez, as pessoas que recolhiam as ofertas em suas próprias aldeias começaram a participar diretamente das novenas do padroeiro. Os noiteiros passaram a levar as dádivas recolhidas para o local da festa e a animar a noite dedicada à sua aldeia.

Quando se configurou a situação das aldeias poderem constituir seus próprios representantes, não somente nos momentos de recolher dádivas para o santo, mas de representar a aldeia em situações mais amplas, o vínculo com as obrigações nas festas religiosas, e, portanto, o papel do noiteiro na animação das noites de festa foi outro parâmetro de definição e de escolha do representante local.

Em 2002, a escolha do índio Caboquinho como cacique geral, uma liderança ligada a Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME) e ao Conselho de Articulação dos Povos Indígenas no Brasil (CAPOIB), resultou na articulação de lideranças ligadas estreitamente às associações comunitárias e algumas delas ao movimento indígena regional; com a sua condução foi modificada, dentre outras coisas, a lógica de que o cacique geral deveria residir na aldeia São Francisco, embora devemos considerar que a família dele é desta aldeia, vindo residir na aldeia Forte no momento da transferência do posto indígena, já que seu pai era funcionário do SPI.

GUARANI MBYA Organização social, política e religiosa

Os lugares onde os Guarani formam seus assentamentos familiares são identificados como tekoa. Conforme tradução de  Montoya (1640), Tekoa significa “modo de ser, de estar, sistema, lei, cultura, norma, comportamento, costumes”. Tekoa seria, pois o lugar onde existem as condições de se exercer o “modo de ser” guarani. Podemos qualificar o tekoa como o lugar que reúne condições físicas (geográficas e ecológicas) e estratégicas que permitem compor, a partir de uma família extensa com chefia espiritual própria, um espaço político-social fundamentado na religião e na agricultura de subsistência  (Ladeira, 1992, 97).

Para que se desenvolvam relações de reciprocidade entre os diversos
 tekoa Mbya é preciso, pois, que estes, em seu conjunto, apresentem certas constantes ambientais (matas preservadas, solo para agricultura, nascentes etc.) que permitam aos Mbya exercerem seu “modo de ser” e aplicar suas regras sociais.

As aldeias Guarani podem ser formadas a partir de uma família extensa desde que tenha uma chefia espiritual e política própria. O contingente populacional das aldeias Guarani Mbya varia, em média, entre 20 a 200 pessoas, compondo unidades familiares integradas pela chefia espiritual e política. A organização espacial interna das aldeias é determinada pelas relações de afinidade e  consangüinidade.

Segundo os padrões tradicionais Guarani, a família extensa é composta, em princípio, pelo casal, filhas, genros e netos, constituindo-se numa unidade de produção e consumo. Atualmente, a família extensa, ainda que tenha algumas variantes na sua composição, é a unidade de produção. Porém, a “propriedade” das roças e o consumo dos produtos é da família elementar, depois do nascimento dos filhos do casal. Isto não exclui os serviços nas roças do sogro e a realização de mutirões entre as famílias.

Entre os Mbya, a liderança espiritual é exercida pelo
 Tamoi (avô, genérico) e seus auxiliares (yvyraija), podendo ser exercida também por mulheres Kunhã Karai
. Atualmente, cada comunidade tem um chefe político, o cacique, ao qual estão subordinadas jovens lideranças para intermediar nas relações entre a comunidade indígena e os representantes do Estado e vários setores da sociedade civil. Até meados da década de 1990 era comum, entre os Mbya, o líder espiritual e religioso exercer também a chefia política na comunidade. Em períodos de muitas atribulações decorrentes do contato, como ocorre atualmente, esta prática é impossível pois o líder espiritual precisa ser preservado.

Casa de reza

Os Mbya (e os Ñandeva) constroem e mantém uma casa para a prática de rezas e rituais coletivos, opy guaçu, localizada próxima ou mesmo agregada à casa do tamõi.

As práticas religiosas dos Mbya são freqüentes e se estendem por muitas horas. Orientadas pelo dirigente espiritual as “rezas” - realizadas através de cantos, danças e discursos - também voltam-se às situações e necessidades corriqueiras (colheita, ausência ou excesso de chuva, problemas familiares, acontecimentos importantes, imprevistos etc.).

A principal cerimônia realizada na
 Opy é o Nheemongarai, quando os cultivos tradicionais são colhidos e “abençoados” e são atribuídos os nomes às crianças nascidas no período. O nheemongarai deve coincidir com a época dos ‘tempos novos’ (ara pyau), caracterizado pelos fortes temporais que ocorrem no verão. Assim, a associação entre  a colheita do milho e a cerimônia do seu ‘benzimento’ e da atribuição dos nomes-almas impõe o calendário agrícola e a  permanência das famílias nas aldeias (Ladeira, 1992). 


O acervo mitológico Guarani é extremamente rico e complexo. Entre os autores, León Cadogan, é o que realizou a maior compilação de mitos clássicos e contos Mbya. Por sua vez, os Mbya vêm incorporando, ao seu acervo mitológico, interpretações e acontecimentos vividos e veiculados entre eles, ao longo de sua história. Para os Mbya o cotidiano está impregnado de relações míticas, advindas da comunicação com as divindades. Assim, “as tradições são postas em prática secularmente, segundo os princípios dos mitos que fundamentam o pensamento e ações dos Mbya” (Ladeira, 1992).

A ORIGEM DOS POVOS AMERICANOS PARTE 2










O que é ser índio
Os habitantes das Américas foram chamados de índios pelos europeus que aqui chegaram. Uma denominação genérica, provocada pela primeira impressão que eles tiveram de haverem chegado às Índias.
Mesmo depois de descobrir que não estavam na Ásia, e sim em um continente até então desconhecido, os europeus continuaram a chamá-los assim, ignorando propositalmente as diferenças lingüístico-culturais. Era mais fácil tornar os nativos todos iguais, tratá-los de forma homogênea, já que o objetivo era um só: o domínio político, econômico e religioso.

Se no Período Colonial era assim, ao longo dos tempos, definir quem era índio ou não constituiu sempre uma questão legal. Desde a independência em relação às metrópoles européias, vários países americanos estabeleceram diferentes legislações em relação aos índios e foram criadas instituições oficiais para cuidar dos assuntos a eles relacionados.
Nas últimas décadas, o critério da auto-identificação étnica vem sendo o mais amplamente aceito pelos estudiosos da temática indígena. Na década de 50, o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro baseou-se na definição elaborada pelos participantes do II Congresso Indigenista Interamericano, no Peru, em 1949, para assim definir, no texto "Culturas e línguas indígenas do Brasil", o indígena como: "(...) aquela parcela da população brasileira que apresenta problemas de inadaptação à sociedade brasileira, motivados pela conservação de costumes, hábitos ou meras lealdades que a vinculam a uma tradição pré-colombiana. Ou, ainda mais amplamente: índio é todo o indivíduo reconhecido como membro por uma comunidade pré-colombiana que se identifica etnicamente diversa da nacional e é considerada indígena pela população brasileira com quem está em contato".
Uma definição muito semelhante foi adotada pelo Estatuto do Índio (Lei nº. 6.001, de 19.12.1973), que norteou as relações do Estado brasileiro com as populações indígenas até a promulgação da Constituição de 1988.
Em suma, um grupo de pessoas pode ser considerado indígena ou não se estas pessoas se considerarem indígenas, ou se assim forem consideradas pela população que as cerca. Mesmo sendo o critério mais utilizado, ele tem sido colocado em discussão, já que muitas vezes são interesses de ordem política que levam à adoção de tal definição, da mesma forma que acontecia há 500 anos. 

Identidade e diversidade do Indio Brasileiro
As populações indígenas são vistas pela sociedade brasileira ora de forma preconceituosa, ora de forma idealizada. O preconceito parte, muito mais, daqueles que convivem diretamente com os índios: as populações rurais.
Dominadas política, ideológica e economicamente por elites municipais com fortes interesses nas terras dos índios e em seus recursos ambientais, tais como madeira e minérios, muitas vezes as populações rurais necessitam disputar as escassas oportunidades de sobrevivência em sua região com membros de sociedades indígenas que aí vivem. Por isso, utilizam estereótipos, chamando-os de "ladrões", "traiçoeiros", "preguiçosos" e "beberrões", enfim, de tudo que possa desqualificá-los. Procuram justificar, desta forma, todo tipo de ação contra os índios e a invasão de seus territórios.
Já a população urbana, que vive distanciada das áreas indígenas, tende a ter deles uma imagem favorável, embora os veja como algo muito remoto. Os índios são considerados a partir de um conjunto de imagens e crenças amplamente disseminadas pelo senso comum: eles são os donos da terra e seus primeiros habitantes, aqueles que sabem conviver com a natureza sem depredá-la. São também vistos como parte do passado e, portanto, como estando em processo de desaparecimento, muito embora, como provam os dados, nas três últimas décadas tenha se constatado o crescimento da população indígena.
Só recentemente os diferentes segmentos da sociedade brasileira estão se conscientizando de que os índios são seus contemporâneos. Eles vivem no mesmo país, participam da elaboração de leis, elegem candidatos e compartilham problemas semelhantes, como as conseqüências da poluição ambiental e das diretrizes e ações do governo nas áreas da política, economia, saúde, educação e administração pública em geral. Hoje, há um movimento de busca de informações atualizadas e confiáveis sobre os índios, um interesse em saber, afinal, quem são eles.
Qualquer grupo social humano elabora e constitui um universo completo de conhecimentos integrados, com fortes ligações com o meio em que vive e se desenvolve. Entendendo cultura como o conjunto de respostas que uma determinada sociedade humana dá às experiências por ela vividas e aos desafios que encontra ao longo do tempo, percebe-se o quanto as diferentes culturas são dinâmicas e estão em contínuo processo de transformação.
O Brasil possui uma imensa diversidade étnica e lingüística, estando entre as maiores do mundo. São 215 sociedades indígenas, mais cerca de 55 grupos de índios isolados, sobre os quais ainda não há informações objetivas. 180 línguas, pelo menos, são faladas pelos membros destas sociedades, as quais pertencem a mais de 30 famílias lingüísticas diferentes.
No entanto, é importante frisar que as variadas culturas das sociedades indígenas modificam-se constantemente e reelaboram-se com o passar do tempo, como a cultura de qualquer outra sociedade humana. E é preciso considerar que isto aconteceria mesmo que não houvesse ocorrido o contato com as sociedades de origem européia e africana.
No que diz respeito à identidade étnica, as mudanças ocorridas em várias sociedades indígenas, como o fato de falarem português, vestirem roupas iguais às dos outros membros da sociedade nacional com que estão em contato, utilizarem modernas tecnologias (como câmeras de vídeo, máquinas fotográficas e aparelhos de fax), não fazem com que percam sua identidade étnica e deixem de ser indígenas.
A diversidade cultural pode ser enfocada tanto sob o ponto de vista das diferenças existentes entre as sociedades indígenas e as não-indígenas, quanto sob o ponto de vista das diferenças entre as muitas sociedades indígenas que vivem no Brasil. Mas está sempre relacionada ao contato entre realidades socioculturais diferentes e à necessidade de convívio entre elas, especialmente num país pluriétnico, como é o caso do Brasil.
É necessário reconhecer e valorizar a identidade étnica específica de cada uma das sociedades indígenas em particular, compreender suas línguas e suas formas tradicionais de organização social, de ocupação da terra e de uso dos recursos naturais. Isto significa o respeito pelos direitos coletivos especiais de cada uma delas e a busca do convívio pacífico, por meio de um intercâmbio cultural, com as diferentes etnias. 

As línguas indígenas no Brasil
A língua é o meio básico de organização da experiência e do conhecimento humanos. Quando falamos em língua, falamos também da cultura e da história de um povo. Por meio da língua, podemos conhecer todo um universo cultural, ou seja, o conjunto de respostas que um povo dá às experiências por ele vividas e aos desafios que encontra ao longo do tempo.
Há várias maneiras de se classificar as línguas. Os lingüistas atuais consideram como mais apropriada a classificação do tipo genético. Eles só recorrem a outros tipos de classificação quando não há dados suficientes para realizar a classificação por meio do critério genético.
Na classificação genética, reúnem-se numa mesma classe as línguas que tenham tido origem comum numa outra língua mais antiga, já extinta. Desta forma, as línguas faladas pelos diversos povos da Terra são agrupadas em famílias lingüísticas, e estas famílias são reunidas em troncos lingüísticos, sempre buscando a origem comum numa língua anterior.
Embora o português seja a língua oficial no Brasil, deve haver por volta de outras 200 línguas faladas regularmente por segmentos da população. Um exemplo são os descendentes de imigrantes italianos, japoneses etc., que em determinados contextos falam a língua materna.
Ainda hoje, muitos índios falam unicamente sua língua, desconhecendo o português. Outros tantos falam o português como sua segunda língua. O lingüista brasileiro Aryon Dall'Igna Rodrigues estabeleceu uma classificação das línguas indígenas faladas no Brasil, sendo esta a mais utilizada pela comunidade científica que se dedica aos estudos pertinentes às populações indígenas.
As línguas são agrupadas em famílias, classificadas como pertencentes aos troncos Tupi, Macro-Jê e Aruak. Há Famílias, entretanto, que não puderam ser identificadas como relacionadas a nenhum destes troncos. São elas: Karib, Pano, Maku, Yanoama, Mura, Tukano, Katukina, Txapakura, Nambikwara e Guaikuru.
Além disso, outras línguas não puderam ser classificadas pelos lingüistas dentro de nenhuma família, permanecendo não-classificadas ou isoladas, como a língua falada pelos Tükúna, a língua dos Trumái, a dos Irântxe etc.
Ainda existem as línguas que se subdividem em diferentes dialetos, como, por exemplo, os falados pelos Krikatí, Ramkokamekrá (Canela), Apinayé, Krahó, Gavião (do Pará), Pükobyê e Apaniekrá (Canela), que são, todos, dialetos diferentes da língua Timbira.
Há sociedades indígenas que, por viverem em contato com a sociedade brasileira há muito tempo, acabaram por perder sua língua original e por falar somente o português. De algumas dessas línguas não mais faladas ficaram registros de grupos de vocábulos e informações esparsas, que nem sempre permitem aos lingüistas suficiente conhecimento para classificá-las em alguma família. De algumas outras línguas, não ficaram nem resquícios.
Estima-se que cerca de 1.300 línguas indígenas diferentes eram faladas no Brasil há 500 anos. Hoje são 180, número que exclui aquelas faladas pelos índios isolados, uma vez que eles não estão em contato com a sociedade brasileira e suas línguas ainda não puderam ser estudadas e conhecidas.
Ressalte-se que o fato de duas sociedades indígenas falarem línguas pertencentes a uma mesma família não faz com que seus membros consigam entender-se mutuamente. Um exemplo disso se dá entre o português e o francês: ambas são línguas românicas ou neolatinas, mas os falantes das duas línguas não se entendem, apesar das muitas semelhanças lingüísticas existentes entre ambas.
É importante lembrar que o desaparecimento de tantas línguas representa uma enorme perda para a humanidade, pois cada uma delas expressa todo um universo cultural, uma vasta gama de conhecimentos, uma forma única de se encarar a vida e o mundo.

Índios que vivem isolados no Brasil
Alguns povos indígenas, desde a época do Descobrimento, mantiveram-se afastados de todas as transformações ocorridas no País. Eles mantêm as tradições culturais de seus antepassados e sobrevivem da caça, pesca, coleta e agricultura incipiente, isolados do convívio com a sociedade nacional e com outros grupos indígenas.
Os índios isolados defendem bravamente seu território e, quando não podem mais sustentar o enfrentamento com os invasores de seus domínios, recuam para regiões mais distantes, na esperança de lograrem sobreviver escondendo-se para sempre.
Pouca ou nenhuma informação se tem sobre eles e, por isso, sua língua é desconhecida. Entretanto, sabe-se que alguns fatores são fundamentais para possibilitar a existência futura desses grupos. Entre eles, a demarcação das terras onde vivem e a proteção ao meio ambiente, de forma a garantir sua sobrevivência física e cultural.
No processo de ocupação dos espaços amazônicos, o conhecimento e o dimensionamento das regiões habitadas por índios isolados são fundamentais para que se possa evitar o confronto e a destruição desses grupos.
Há na FUNAI, desde 1987, uma unidade destinada a tratar da localização e proteção dos índios isolados, cuja atuação se dá por meio de sete equipes, denominadas Frentes de Contato, atuando nos estados do Amazonas, Pará, Acre, Mato Grosso, Rondônia e Goiás.